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Nem Torre de Babel nem Fortaleza. O falso dilema entre universalismo e fronteiras

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09.08.2026

O artigo de João Miguel Tavares publicado neste jornal ("Ceuta, a armadilha humanitária e as ideologias que matam", PÚBLICO, 06/08/2026) merece ser lido com atenção. Não apenas porque pretende desafiar alguns dos lugares-comuns da esquerda contemporânea, mas porque coloca uma questão que está no centro da crise das democracias: como podemos viver juntos num mundo em que a dignidade de cada ser humano é universal e, ao mesmo tempo, as comunidades políticas continuam organizadas através de fronteiras?

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João Miguel Tavares tem razão quando critica a ideia de que princípios morais possam substituir a política. As democracias não nasceram da proclamação de valores abstratos. O Estado de direito, a cidadania, as fronteiras e os direitos fundamentais foram construções históricas, lentas e conflituosas. Esquecê-lo conduz facilmente a um moralismo incapaz de lidar com a complexidade da vida coletiva.

Também tem razão quando recorda que muitos dos valores que hoje consideramos universais possuem uma longa genealogia cristã. A igual dignidade de todos os seres humanos, a proteção dos mais vulneráveis e a própria linguagem dos direitos humanos não nasceram do nada. A modernidade secular transformou essa herança, mas não a inventou.

É neste ponto que acompanho João Miguel Tavares. E é também aqui que dele me afasto.

O problema não está em afirmar que nenhum ser humano é ilegal. Nem em reconhecer que os Estados têm fronteiras. O problema começa quando estas duas afirmações são transformadas numa alternativa absoluta: ou o universalismo moral, ou a comunidade política; ou a dignidade humana sem fronteiras, ou a defesa das fronteiras contra o mundo.

Esse é um falso dilema. A questão verdadeiramente difícil é outra: como tornar compatível a universalidade da dignidade humana com a existência de comunidades políticas capazes de garantir direitos, produzir solidariedade e sustentar uma vida democrática?

Há, contudo, uma dimensão que raramente aparece neste debate:........

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