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Pedro Alexandrino da Cunha

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26.09.2026

Um dos principais largos de Luanda chamava-se Pedro Alexandrino da Cunha. O topónimo era realçado por um monumento representado por uma estátua de bronze do homenageado. Era a mais antiga da cidade e, em comparação com as que se levantaram pelos anos fora, consideravam-na a mais perfeita de todas. Um primor – das feições do homenageado ao detalhe das dragonas da farda de oficial de Marinha Real que envergava.

A ninguém, tanto quanto Pedro Alexandrino da Cunha, se ficou a dever o fim do tráfico transatlântico de escravos de Angola para o Brasil. Aqueles que na Corte de Lisboa viram nele o homem providencial para finalmente acabar com tão nefanda actividade, devem ter-se sentido eternamente reconfortados por o terem nomeado governador-geral de Angola, em 1845. A missão que então lhe confiaram não podia ter melhor balanço.

Os dez anos que à época já levava de Angola, primeiro como comandante da corveta “Isabel Maria”, para lá despachada em 1835 com a “carta patente” de vigiar e reprimir o tráfico marítimo negreiro, depois como comandante da Estação Naval de Luanda, criada em 1843 para coordenar o combate a tal actividade, tudo isso havia-lhe permitido um raro conhecimento da realidade do tráfico.

O que também devem ter visto nele, foi alguém com apurada consciência de que acabar com o tráfico transatlântico de escravos era não apenas um imperativo moral e político (chegara o momento de pôr termo “àquilo”; era imperativo dar cumprimento à portaria de 1830, que mandava acabar com o tráfico em todas as partes do Reino), como correspondia a uma necessidade vital para o futuro do território.

Angola vivia completamente do tráfico de escravos desde o século XVII –........

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