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A Europa fluída, os populistas e os "prostitutos"

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06.06.2026

Tenho dificuldade em compreender porque tudo o que Pedro Passos Coelho diz é imediatamente interpretado como uma crítica a Luís Montenegro. Parecem reflexos pavlovianos. As preocupações que expressou recentemente são novas? Não. Em 2017, enquanto presidente do PSD, já alertava para os perigos dos nacionalismos e dos populismos na Europa.

Passos Coelho apresentou A Constituição Fluida, de Carlos Blanco de Morais, um livro que, recuperando o conceito de “modernidade líquida” de Zygmunt Bauman, examina as transformações culturais, políticas e jurídicas ocorridas no Ocidente após 1989, no contexto da globalização. Neste âmbito, é identificado um processo de erosão de valores tradicionais, identidades nacionais e estruturas sociais, acompanhado pela ascensão de movimentos identitários de caráter radical, cujas reivindicações têm sido parcialmente acolhidas por instâncias judiciais marcadas por uma vocação ativista. Consequentemente, a Constituição tende a assumir contornos mais fluidos, perdendo parte da sua densidade normativa em resultado de interpretações expansivas e transformistas promovidas por alguns tribunais constitucionais e por instâncias jurisdicionais transnacionais, frequentemente em tensão com a legitimidade democrática e com o papel do poder legislativo.

Foi neste contexto que Passos Coelho se referiu à Europa. Na sua perspetiva, a “Europa fluida” caracteriza-se pela erosão progressiva das referências culturais, políticas e institucionais que sustentaram a ordem europeia do pós-Guerra Fria. Denunciou igualmente a tendência de alguns dirigentes para substituírem convicções por cálculos de oportunidade, adaptando o discurso às correntes dominantes ou ao receio do avanço populista. Para ele, essa deriva conduz a uma política cada vez mais volátil e desprovida de ancoragens normativas. Ao procurarem imitar os populistas para lhes disputar eleitorado, muitos partidos do mainstream acabam por abdicar da sua identidade própria, sacrificando a coerência e a credibilidade sem, contudo, travarem o crescimento das forças que pretendem conter.

Não obstante, Montenegro faria bem em........

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