O Custo da "Não-Europa"
Há uma ironia melancólica na forma como a União Europeia se posiciona no xadrez global. Tornámo-nos líderes incontestáveis na regulação de indústrias que já não lideramos. Escrevemos os manuais de regras mais ambiciosos do planeta sobre Inteligência Artificial, mercados digitais e transição energética, enquanto assistimos, ora com perplexidade, ora com resignação, ao crescimento exponencial dos gigantes americanos e chineses. A Europa corre o risco de se transformar num vasto e luxuoso museu regulatório: perfeitamente ordenado, mas economicamente estagnado.
Este declínio confortável, amplamente documentado no diagnóstico cirúrgico do Relatório Draghi, não se deve a uma escassez de talento, de inovação ou de capital humano no continente. O verdadeiro bloqueio reside naquilo que a ciência económica convencionou chamar de “Custo da Não-Europa”. Trata-se de um imposto invisível, cobrado diariamente a empresas e cidadãos, decorrente de uma escolha política consciente: a manutenção de 27 mercados fragmentados que se recusam a........
