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A cova que Passos está a cavar

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29.05.2026

“O postiço fica sem nada: fica sem integridade, fica como um prostituto sem caráter,  sem reduto de pensamento, simplesmente vendido ao aplauso que o momento lhe possa  fornecer.” A frase é de Pedro Passos Coelho, dita na terça-feira, no auditório da  Faculdade de Direito de Lisboa. Quem o ouvia na primeira fila era André Ventura. Se  há ironia no ar, é densa.

Porque a descrição serve, involuntariamente, como auto-retrato.

Passos escolheu aparecer ao lado de Ventura e foi ao lado de Ventura que criticou a  falta de “ritmo” do Executivo, num evento que era, formalmente, uma ocasião  académica sobre constitucionalismo. A presença de Ventura não foi acidental nem  logística. Foi uma escolha. E as escolhas dizem sempre mais do que os discursos.

O diagnóstico que foi lá fazer tem a substância política do agrado perpétuo, o líder que  governa para as sondagens, o discurso que nunca........

© Observador