O desfile de robôs que a Europa devia levar a sério
É fácil fazer memes com alguns momentos do desfile de robôs da semana passada na China. Algumas tropeçaram, outros pareciam desajeitados e houve momentos caricatos. Mas seria um erro descartá-los. Uma imagem, em particular, ficou-me na cabeça: filas de robôs humanoides a marchar em sintonia, coordenados e a evoluir exponencialmente de ano para ano.
Não se tratou apenas de um espetáculo. Foi um sinal. Disse ao mundo aquilo que quem acompanha esta indústria já sabe: na China, a robótica é um projeto industrial e uma prioridade nacional. O objetivo não era demonstrar que os robôs humanoides vão substituir trabalhadores amanhã, mas mostrar que a China está a construir o ecossistema necessário para que estas máquinas sejam úteis e produzidas em grande escala.
A Europa devia prestar atenção. Durante demasiado tempo, tratámos a robótica apenas como uma ferramenta de produtividade. E, sendo isso, é hoje algo muito mais importante: uma resposta à escassez de mão de obra, um pilar de soberania industrial e uma tecnologia que poderá ajudar a definir o poder económico e estratégico das nações.
Os dados da demografia europeia são implacáveis. Estamos a envelhecer, as taxas de natalidade são baixas e a população em idade ativa está a diminuir. Nas próximas décadas, vamos precisar de mais trabalhadores em áreas criticas como os cuidados a idosos, hospitais, agricultura, energia, indústria, construção e defesa. A imigração, a requalificação e uma........
