Deixem as buzzwords à porta
Ao rever a série Silicon Valley não pude deixar de sorrir quando, numa grande competição de startups, os guionistas brincam com o facto de que todas as apresentações utilizavam mais ou menos as mesmas buzzwords com o objetivo de se diferenciarem, mas tendo o efeito perverso de parecerem banais. No caso era LOMOSO (local, mobile, social). Infelizmente, a realidade continua a não estar muito distante da sátira originalmente emitida em 2014.
Nas últimas semanas devo ter assistido a mais de uma centena de pitches de startups. Algumas delas prometedoras, outras nem tanto. Algumas ainda a dar os primeiros passos, outras já com soluções maduras e prontas a escalar. Mas independentemente do produto ou serviço, lá estava a buzzword do dia.
Há uma década, era “social”. Depois foi “mobile-first”. Todas as empresas eram o Uber disto ou daquilo. Seguiu-se a febre da blockchain, que aparecia em slides com mais frequência do que vírgulas. Hoje, as palavras mágicas são sem dúvida: Inteligência Artificial. Como se, simplesmente por as referir, uma empresa perfeitamente banal se transformasse, por artes mágicas, numa pioneira visionária do futuro.
O ecossistema das startups, e não só, confunde com regularidade preocupante ferramentas com propósito. Os fundadores obcecam-se com a tecnologia do momento em vez de se concentrarem no problema que se propuseram resolver.
Não se trata de um argumento contra a IA nem de uma........
