Eleições na Hungria: ponto de viragem para a UE?
As eleições legislativas de 2026 na Hungria estão a configurar-se como um dos momentos políticos mais expectantes na Europa dos últimos anos. Embora as eleições nacionais não tenham implicações que ultrapassem a política interna, a Hungria é um caso de exceção. Sob a liderança prolongada de Viktor Orbán, o país tornou-se nos últimos anos um ponto central de contestação política e ideológica dentro da União Europeia.
Ao longo da última década, a Hungria tem seguido um caminho político distinto sob a liderança do primeiro-ministro Viktor Orbán, frequentemente descrito como um modelo de governação “iliberal”. A União Europeia tem manifestado preocupações relativamente à liberdade dos meios de comunicação, à independência judicial e à erosão do Estado de direito, recorrendo a mecanismos como o Artigo 7.º do Tratado da União Europeia e a instrumentos de condicionalidade do Estado de direito, que levaram à suspensão ou atraso de milhares de milhões de euros em fundos de coesão e de recuperação. Ao mesmo tempo, o agravamento da relação com a União Europeia tem gerado pressão adicional e desafios económicos para o governo, criando espaço para o crescimento das forças da oposição, em particular o partido Tisza, liderado........
