Não volto a ver o Casados à Primeira Vista
As razões que me levam a não ver reality shows são bíblicas e, receio, quase marxistas: bíblicas porque a vaidade é um pecado e exibir a nossa vida em show qualifica; quase marxistas porque, ainda que não concorde com tudo o que Marx disse sobre a luta de classes, é sobretudo a minha classe média suburbana que é explorada nestes programas. Até 2026 resisti com alguma facilidade nesta minha resolução.
Lembro-me quando em 2000 estreou o Big Brother. Claro que vi partes. Claro que me recordo do pontapé do Marco e da vitória do Zé Maria. Mas já na altura me insurgia contra o prime time que ganhou em casa dos meus pais. Um dia fechei-me no meu quarto de solteiro (ainda era solteiro e ainda vivia com os meus pais) e fiz uma canção de intervenção chamada “As pessoas deviam ter vergonha” (podem encontrá-la nas plataformas digitais). Não consegui convencer ninguém a mudar de canal.
Quando casei em 2002 nasceu uma regra que não precisava de ser escrita. Eu e a Rute desprezávamos reality shows. Sim, reconheço um........
