Dias perfeitos
A primeira vez que vi como deve ser um filme não-americano estava no meu 10º ano, portanto com 15, 16 anos. Tínhamos alemão dado por um par de estagiárias encantadoras e elas resolveram fazer a turma ver “As Asas do Desejo” no anfiteatro do Liceu de Queluz. O filme, sendo do Wim Wenders, realizador alemão, proporcionaria àqueles adolescentes duas horinhas de convívio com o idioma que aprendiam.
Quando o filme terminou eu não sabia o que havia de fazer à minha vida. Ainda hoje recordo com gosto essa verdadeira perplexidade como uma das emoções mais valiosas quando nos deparamos com algo para o qual nos falta o alfabeto. Eu não sabia se aquelas duas horas de Wim Wenders tinham sido uma tortura ou uma epifania. Como, ainda por cima, o filme era acerca de anjos, talvez eles me tivessem mesmo visitado.
Aquele filme era maior do que eu, isso eu acho que tinha conseguido intuir. Quando não compreendemos algo, compreendermos que a nossa compreensão é mais curta........
