Vamos falar de democracia aos estudantes de Coimbra ?
A decisão da Associação Académica de Coimbra de excluir o Chega das suas atividades pode ter sido celebrada como um gesto de firmeza moral. E esta decisão de excluir o partido Chega das suas actividades produzem o efeito inverso da intenção que as motiva.
O argumento formal é simples: autonomia associativa, coerência estatutária, defesa da inclusão. Tudo isto é juridicamente defensável mas a política não se esgota na legalidade e não tem respaldo exclusivo na lei. A política mede-se também pelo impacto simbólico e estratégico. E aqui começa o lado mais negro desta decisão da academia de Coimbra. Ao excluir um partido legal, com representação parlamentar, a academia não elimina ideias, mas oferece-lhes o melhor do mundo : um palco.
Um palco que é mais poderoso do que qualquer auditório estudantil: o palco da vitimização. Nada alimenta mais uma força populista do que poder dizer: “têm medo de nós”. Nada une mais o seu eleitorado do que a narrativa da censura. Nada simplifica mais o discurso do que transformar um debate complexo numa história binária: povo vs. elite. E a universidade enquanto símbolo de elite cultural é o adversário perfeito para essa encenação.
A democracia liberal não se protege eliminando presença. Protege-se expondo fragilidades argumentativas. Combate-se o radicalismo com inteligência, não com interdição. Há um equívoco........
