Que gente é esta?
O que se tem dito sobre o caso de Luís Neves é tão óbvio, que é difícil não achar o caso um pouco inexplicável. Como pôde um director da PJ achar boa ideia empregar numa obra particular um empresário com contratos de milhões com a PJ e fazer-se “amigo” dele? Nunca lhe ocorreu que esse tipo de relação entre o dirigente de uma instituição pública e um dos seus fornecedores pudesse suscitar suspeitas de troca de favores? Como pôde um ministro da Administração Interna passear pelos ecrãs a contar histórias que a imprensa pouca dificuldade teve em desmantelar, ao mesmo tempo que se negava majestaticamente a partilhar os únicos documentos capazes de limpar um pouco as nuvens de desconfiança que se acumulavam sobre a sua cabeça? Não percebe que, nestas situações, é fatal parecer que se está a contar mal as coisas ou que se tem algo a esconder?
Ninguém alegou que o ex-director da PJ e agora ministro tivesse cometido alguma ilegalidade ou prejudicado o interesse público. Mas tudo o que já sabemos autoriza a que se discuta, pelo menos, o que o comentário nacional classificou como “informalidade” e “imprudência”. Ora, esta aparente informalidade e esta notória........
