Passos: o drama de ter razão e não ter votos
Pedro Passos Coelho deu, finalmente, o passo em frente. O antigo primeiro-ministro intensificou a sua presença pública logo quatro dias depois do primeiro Governo Montenegro tomar posse, na apresentação do livro Identidade e Família, em abril de 2024. Desde então, o antigo líder do PSD, com mais ou menos espaço entre as aparições, tornou-se mais presente no espaço mediático e foi, progressivamente, sendo mais vocal nas críticas ao Governo do seu partido. O antigo primeiro-ministro insistia, no entanto, num pecado inicial: fazia as críticas, mas não propunha soluções. Isso parecia estranho, como aqui lembrava, vindo de um político que em tempos quis introduzir na Constituição a figura da moção de censura construtiva.
Na avaliação que fazia do País, o antigo primeiro-ministro tinha, até há pouco tempo, uma postura muito mais destrutiva (ainda que, admita-se, fundamentada e bem estudada) do que construtiva. Passos dizia, e diz, que não é, nem quer ser, comentador. Logo, não comentava por comentar. Tendo pergaminhos para isso, também não quis ser remetido à prateleira de senador, porque não queria apenas aconselhar. Passos sugeria ser um fazedor, mas sem vontade suficiente para executar o seu sentido mais patriótico. Tinha pouca vontade de meter as mãos na massa. Mas isso mudou.
O antigo primeiro-ministro escreveu, desde logo, um prefácio com 4033 palavras, em que fala sobre a necessidade de reformas e diz quanto tempo seria necessário para executar um plano que colocasse o País a crescer (oito anos), com especial ênfase na competitividade da economia e na reforma da Segurança Social. O exercício tem mais ou menos a dimensão do ensaio de 5700 palavras com que Tony Blair derreteu Starmer, mas o português centra-se no país e não no seu partido.
O livro prefaciado, de Pedro Gomes Sanches, chama-se Portugal na Paz dos Bloqueios e tem um subtítulo também revelador: Como nos habituámos a viver abaixo das nossas Capacidades. Ora, Passos Coelho manifesta-se um inconformado no País dos bloqueios. E percebe-se que tem vivido abaixo das suas capacidades. Políticas, entenda-se. E, por isso mesmo, foi finalmente mais longe: está empenhado num estudo para o País que, quando estiver terminado em dezembro, será um autêntico programa de Governo.
O estudo, co-coordenado por........
