Cidadania hiperlocal: duas ruas da Mouraria
Há uns dias estive, juntamente com um grupo de moradores de várias nacionalidades, na Mouraria, a dar continuidade a um trabalho que começou há meses e que gosto de chamar de um exercício prático de “cidadania hiperlocal”. O objetivo era modesto na escala e ambicioso no propósito: transformar dois pequenos arruamentos, tornando-os menos hostis, menos abandonados e, sobretudo, menos disponíveis para o uso que ali se tinha instalado como rotina para atividades ligadas ao consumo e ao narcotráfico.
Quem conhece certas zonas de Lisboa sabe do que falo. Há ruas que, por acumulação de degradação, problemas crónicos de iluminação pública, falta de manutenção e ausência de presença humana regular, acabam por ser apropriadas por atividades marginais. Tornam-se pontos de tráfico e consumo, autênticas salas de chuto a céu aberto, onde o espaço público deixa de pertencer a quem nele vive e passa a pertencer a quem dele se serve para outros fins. A resposta a este fenómeno é frequentemente pensada em termos de policiamento, de fiscalização,........
