menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Quando uma carícia provoca dor

26 0
14.10.2026

Imagine que alguém que gosta de si lhe faz uma carícia e que esse gesto, em vez de conforto, lhe provoca dor. Ou que o simples roçar do lençol durante a noite, a água do duche ou a meia que se calça de manhã se tornam insuportáveis. Para muitas pessoas, isto não é uma imagem literária. É o dia a dia de quem vive com dor neuropática.

A maior parte das dores que conhecemos são um sinal de alarme útil: a dor protege, ensinando que não podemos tocar em coisas muito quentes; que tendo uma lesão grave como uma fratura, devemos permanecer com o membro imobilizado para permitir a cicatrização. E a dor desaparece quando a lesão cicatriza.

Na dor neuropática, é o próprio sistema de alarme que está avariado. Uma doença ou uma lesão dos nervos, da medula ou do cérebro baralha os sinais elétricos que levam a informação do corpo até ao cérebro. Às vezes, chegam sinais a menos, e surge a dormência. Outras vezes, chegam sinais a mais, e surgem os choques, as picadas e o ardor. Muitas vezes, acontecem as duas coisas ao mesmo tempo: a pele está dormente e, ainda assim, dói.

Por isso, as queixas destes doentes soam estranhas a quem as ouve. Falam de queimadura — sem que haja fogo —, de choques elétricos, de formigueiro, de comichão, de frio. Talvez o exemplo........

© Observador