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A nuvem que nos governa

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06.06.2026

Há uma guerra invisível a travar-se nas profundezas dos oceanos e nos centros de dados por todo o mundo. Não se ouve o estrondo dos canhões, mas sim no zumbido refrigerado dos servidores onde repousa, vulnerável e exposta, a soberania digital europeia. Portugal, com o Plano Nacional de Nuvem Soberana (PNCS), entra tentativamente nesta disputa — mas entra.

O problema tem nome: CLOUD Act. Desde 2018, os Estados Unidos arrogam-se o direito de exigir dados a qualquer prestador americano, independentemente de onde esses dados residam fisicamente — mesmo que estejam guardados em Lisboa, Berlim ou Paris. A Europa acordou tarde para esta realidade. Cerca de 70% das organizações europeias citam a exposição à legislação extraterritorial como preocupação central no seu ambiente cloud. E com razão: 92% dos dados do Ocidente estão armazenados nos Estados Unidos, com as empresas americanas a deter 69% da quota de mercado cloud na Europa.

A reação da UE cristalizou-se na Declaração para a Soberania Digital Europeia, de novembro de 2025, e na proposta do Cloud and AI Development Act, liderada pela Comissária Henna Virkkunen, que pretende triplicar a capacidade de processamento de dados da UE até 2030. A Comissão Europeia lançou um concurso de 180 milhões de euros........

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