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Alma Maior: quando uma Nação decide ser apenas uma equipa

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Há momentos na vida de um país que passam despercebidos no instante em que  acontecem, mas que, anos mais tarde, são reconhecidos como verdadeiros pontos  de viragem.

Suspeito que Los Angeles 2028 será um desses momentos.

Não apenas pelos resultados que Portugal venha a alcançar, pelas medalhas que  possa conquistar ou pelos recordes que os nossos atletas possam estabelecer.

Mas porque, pela primeira vez, Portugal apresentará ao mundo uma única  identidade: “Equipa Portugal”.

Poderíamos olhar para esta decisão como uma simples opção de comunicação  institucional. Seria um erro.

Os símbolos nunca são apenas símbolos. Traduzem sempre uma forma de pensar,  uma visão do país e uma ideia de futuro.

Durante décadas aceitámos, quase sem questionar, que existissem duas  representações nacionais. Dois momentos de celebração. Duas narrativas. Duas  formas de comunicar o mesmo orgulho.

Na verdade, nunca existiram duas formas de representar Portugal.

Existiram sempre homens e mulheres que, através do talento, da disciplina, da  coragem e do trabalho, carregaram ao peito a mesma bandeira.

A única diferença estava no olhar de quem observava.

Talvez por isso esta decisão tenha um significado que ultrapassa largamente o  universo desportivo.

Ela obriga-nos a refletir sobre a própria ideia de comunidade nacional. O que faz uma equipa?

Será a modalidade que pratica?

Será a competição em que participa?

Será a........

© Observador