Um(a) (A)Ventura, Um Seguro e Um Voto Anulado
Num mundo ideal, em que na AR estaria sentada uma sólida maioria reformista, capaz de sustentar e dar segurança a um governo da mesma orientação, o Presidente da República não seria mais do que um segundo sustentáculo do executivo, apagado, aquiescente e servil perante um PM carismático e ativo. No mundo real, no entanto, a AR tem uma maioria inoperante, e o governo é de uma lentidão inexcedível na adoção de reformas – embora, e em abono da verdade, pareça ter começado a despertar nesta última semana. Perante este cenário, o PR deve ter outras tarefas, sendo a principal a de empurrar e exercer pressão sobre o governo para a adoção de reformas, servindo como garante das mesmas no momento da sua promulgação. Ora, nenhum dos candidatos que passaram à segunda volta tem este perfil.
Ao contrário de uma parte substancial do país, não acho André Ventura o diabo. Penso, até, que a sua entrada na política teve alguns efeitos benéficos, o principal deles a queda de certos tabus da política nacional, como falar da condição da comunidade cigana e dos imigrantes. Apesar disto, é inegável que André Ventura não tem quaisquer laivos de reformismo no seu programa. Ele jura que sim, e até diz coisas que dão a entender que........
