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A História regressou à Europa

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29.10.2026

Portugal habituou-se a olhar para a guerra como um problema dos outros. No extremo ocidental da Europa, protegido pela distância e pelas alianças, parecia possível discutir o futuro sem pensar demasiado nas condições da nossa segurança. A invasão russa da Ucrânia tornou essa tranquilidade mais difícil de sustentar. A distância pode afastar uma frente de combate. Não elimina as consequências de uma ordem europeia em que as fronteiras possam ser alteradas pela força.

É neste sentido que a História regressou à Europa. Não porque alguma vez tivesse desaparecido, mas porque voltaram a impor-se perguntas que parte do continente julgava ultrapassadas: quem decide sobre um território, quanto vale a independência de um Estado e o que está uma sociedade disposta a fazer para continuar livre?

O otimismo que se seguiu ao fim da Guerra Fria não era absurdo. A reunificação alemã, o desaparecimento da União Soviética e o alargamento das instituições europeias alimentaram a esperança de um continente menos dividido. A cooperação económica tinha contribuído para reconciliar antigos inimigos. Havia motivos para acreditar que poderia continuar a fazê-lo.

O erro começou quando uma conquista política passou a ser tratada como uma condição irreversível. A paz parecia dispensar os instrumentos necessários à sua defesa. A interdependência económica era apresentada como garantia contra o conflito, sem se perguntar suficientemente quem ficaria dependente de quem. A proteção americana permitia adiar escolhas difíceis sobre as capacidades militares europeias.

As guerras na antiga Jugoslávia já tinham desmentido esta confiança. Ainda assim, foi possível tratá-las como uma exceção, uma tragédia que não alteraria o rumo geral do continente. A agressão russa à Ucrânia tornou muito mais........

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