menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A China já não pede licença

25 0
27.06.2026

Há momentos em que a história financeira muda de sala sem fazer barulho. A China parece estar precisamente a fazer isso: não com um anúncio grandioso, mas com a construção paciente de uma alternativa ao sistema que o Ocidente tomou durante décadas como inevitável. O nome é mBridge, mas o significado é mais vasto do que a sigla: é uma tentativa de contornar a gravidade do dólar, não por confronto aberto, mas por substituição funcional.

O mais interessante neste movimento é que ele não nasce de uma utopia tecnológica. Nasce de uma velha obsessão chinesa: controlo, escala e autonomia. Pequim percebeu que quem controla a infraestrutura controla o ritmo do comércio, o custo das trocas e, em última análise, a margem política dos outros. Se os pagamentos internacionais puderem ser feitos em segundos, com menos intermediários e menor custo, a promessa será irresistível para muitos países e empresas — sobretudo os que vivem cansados da lentidão, da fricção e da exposição ao sistema dominado pelos Estados Unidos.

Durante muito tempo, a força do dólar não dependeu apenas da economia americana. Dependia também da inércia do mundo. Era mais fácil continuar........

© Observador