Não se muda a escola num mandato
Sabemos o que muda os resultados dos alunos. E sabemos porque é que não acontece: procuramos um culpado e uma medida única, quando o que é preciso são várias coisas ao mesmo tempo, durante muito tempo.
Um sistema educativo não se mede pelos alunos que já iam ser bons de qualquer maneira. Mede-se por quantos deixa pelo caminho. E é por essa medida, que é a única que interessa, que Portugal está mais atrasado do que gosta de admitir.
A boa notícia é que isto não é um mistério por resolver.
O PISA mostrou-nos onde estamos e deu pistas sobre o que explica a descida. Por isso mesmo, este artigo não é sobre o que correu mal. É sobre o que fazer agora. Porque a resposta existe, está documentada, e raramente aparece nos debates.
A má notícia é que a resposta não se vende bem. É a combinação de várias medidas ao mesmo tempo, na mesma escola, durante anos seguidos. Talento colocado onde é mais difícil. Método validado em vez de boa vontade. Acompanhamento e medição de quem ensina. Autonomia com responsabilização. Se falta uma, não acontece nada.
E é por não a fazermos que, em Portugal, se consegue prever o que uma criança vai saber aos quinze anos sem alguma vez a ter visto. Não é preciso conhecer-lhe o nome, o esforço, a curiosidade ou a vontade. Basta saber onde vive.
35,2% dos alunos portugueses estão abaixo do nível mínimo a Matemática. Eram 29,7% há três anos. Entre os mais desfavorecidos é mais de metade; entre os mais favorecidos, pouco mais de um em cada sete. E 46% dos adultos portugueses em idade ativa não vão além do nível mais elementar de literacia. O primeiro número transforma-se no segundo.
Precisamente porque a resposta está no Google
Há uma objeção que se ouve cada vez mais: para quê saber seja o que for, se a resposta está toda a um clique de distância?
É exatamente ao contrário.
Para criticar uma resposta é preciso ter alguma coisa contra a qual a comparar. Ninguém pensa criticamente no vazio: pensa-se criticamente com conhecimento. Quem não sabe o que é uma mitocôndria não deteta uma frase errada sobre metabolismo. Quem não faz ideia de como se formam os planetas não distingue divulgação científica de disparate bem escrito. A capacidade de duvidar é o que fica depois de se ter aprendido bastante coisa.
E toda a conversa sobre competências ganha forma: elas andam de mãos dadas com o conhecimento. Ao passar pelo esforço, ganha-se resiliência. Ao perseguir um objetivo próprio, ganha-se mentalidade de crescimento. Ao ter de perguntar aos........
