Crença e Fé: o exemplo de S. Francisco de Assis
Com frequência, a vida apresenta-se como um amontoado de questionamentos, de dúvidas, de insatisfações, de procura por algo que faça sentido: o sentido da própria existência , podendo vislumbrar-se naquilo que se faz diariamente, naquilo que se vive e nas atitudes que se toma perante as circunstâncias da vida.
O Homem considera que tudo tem um sentido, uma razão de ser, sente a necessidade de uma justificação para a sua ação. Os motivos podem ser utilitários ou mais fundamentais, que expliquem a própria existência e permitam aceitar alguns aspetos da vida.
Crenças e opiniões moldam o agir humano e, consequentemente, produzem transformações individuais e coletivas, influenciando os contextos socioculturais. As crenças constituem, em grande medida, um conjunto de dogmas externos, não comprovados pela experiência direta do indivíduo ou da coletividade. Estruturam sistemas de valores baseados em consensos maioritários, influenciando decisivamente comportamentos e condutas, ao determinarem a forma como as pessoas se relacionam e interpretam as situações em que interagem.
A crença é, frequentemente, confortadora: oferece segurança, reduz a dúvida e atua como elemento apaziguador e agregador. O crente tende a agir segundo o que julga necessário, encontrando reforço na comunidade daqueles que pensam de modo semelhante. Contudo, tal dinâmica pode conduzir a uma uniformização que dificulta a aceitação da diversidade, cristalizando-se em ritos e ortodoxias que promovem a aglutinação coletiva
A crença só se torna conhecimento quando é verificada por meio da observação e da experiência, ou seja, por um método científico. Então, pela razão, a crença transforma-se em conhecimento, que permanecerá válido enquanto não surja algo que o negue.
De modo diferente, a fé coloca continuamente questões: “Quem é este, que até mesmo o vento e o mar obedecem?” [Mc 4,41]. Uma pergunta da fé, que continuamente necessita de apoio, será; “Eu creio; ajuda-me na minha........
