O orçamento municipal não é um estágio de gestão
Em democracia, qualquer cidadão tem o direito de se candidatar a cargos públicos. É um dos maiores pilares do nosso sistema político, uma conquista histórica que importa preservar e defender. Contudo, a consagração deste princípio não nos deve inibir de fazer uma pergunta cada vez mais urgente e incómoda: estarão os nossos representantes minimamente preparados para governar?
Infelizmente, a discussão política em Portugal continua excessivamente capturada pelo folclore dos partidos: as listas, os equilíbrios de forças internos, as polémicas do dia e os slogans de campanha. Dedica-se demasiado tempo ao soundbite e quase nenhum àquilo que verdadeiramente dita o sucesso ou o fracasso de um mandato: a capacidade de liderança, a competência de gestão e a visão estratégica de quem pretende decidir o futuro de milhares de pessoas.
Gerir uma autarquia hoje está longe de ser apenas inaugurar rotundas, distribuir subsídios a associações locais ou aprovar regulamentos em reuniões de câmara. Significa liderar uma organização complexa, muitas vezes com centenas ou milhares de trabalhadores, dezenas de serviços camarários, contratação pública complexa, planeamento urbanístico, proteção civil e finanças.
Em muitos municípios portugueses, os orçamentos anuais ultrapassam facilmente as dezenas ou mesmo as centenas de milhões de euros. As decisões tomadas por um executivo municipal moldam, de forma direta e irreversível, a qualidade de vida e o bolso dos cidadãos.
No setor privado, nenhuma empresa........
