Volta, volta atrás
Durante trinta anos ensinaram-nos a separar o lixo, a tirar as tampas e a espalmar as garrafas para ocuparem menos espaço no ecoponto amarelo. Agora o novo sistema pede exatamente o contrário: entregar garrafas inteiras, sem as esmagar, com o código de barras bem legível, numa máquina que pode ficar longe de casa, depois de décadas a treinar um comportamento, pedimos ao país para o desaprender em poucos meses.
Há coisas que já estão a correr menos bem, e isso nota-se sobretudo no jogo de cintura típico da cultura portuguesa. Há marcas de água a vender agora em garrafas de 3,1 litros, uma décima de litro acima do limite que ativa a taxa. Há restaurantes a voltar ao vidro só para não lidar com a logística do novo sistema. Não se trata de falta de educação ambiental, é o “nosso” desenrascanço puro – perante uma regra que não encaixa, aparece sempre quem lhe dê a volta.
Convém dizer isto com clareza antes de qualquer crítica: o objetivo ambiental está certo e a evidência europeia confirma a eficácia dos sistemas de depósito. A diretiva comunitária fixou uma meta de recolha seletiva de garrafas de plástico de 77% até 2025 e de 90% até 2029. Segundo um relatório da Comissão Europeia publicado em abril de 2026, 12 dos 26 países que apresentaram dados já ultrapassavam os 77% em 2022, dez dos quais Estados-Membros da União Europeia.........
