Hungria: subversão da democracia e fragilidade europeia
1 Em Junho de 2024, logo após as eleições europeias Péter Magyar então eleito para o parlamento europeu – e agora principal rival de Órban nestas eleições – estava numa discoteca em Budapeste presumivelmente a dançar. Alguém o começou a filmar, e ele pediu para parar acabando por lhe retirar o telemóvel. Gerou-se uma altercação entre as duas pessoas, de modo que acabaram sendo expulsas do bar. Alegadamente, Péter atirou o telemóvel para o Danúbio, que mais tarde terá sido recolhido pela polícia e devolvido ao seu proprietário em condições de funcionamento. Na sequência deste episódio o procurador-geral da Hungria pediu ao parlamento europeu (PE) o levantamento da imunidade parlamentar de Péter Magyar. Numa decisão de Outubro de 2025, o PE recusou-se a levantar a imunidade. Este episódio mostra o tipo de controle que Orbán exerce sobre o Ministério Público e os truques que utiliza para se eternizar no poder.
Ao longo da sua já vasta liderança do país Órban tem vindo a alterar e distorcer, em seu benefício, o sistema eleitoral que combina um círculo nacional de apuramento proporcional com círculos uninominais. As reformas eleitorais introduzidas na Hungria desde 2011, e aprofundadas em momentos posteriores, alteraram de forma significativa a tradução dos votos em mandatos e a qualidade da representação política, reforçando de modo estrutural a posição do partido dominante. A reforma de 2011, aprovada com maioria qualificada pelo Fidesz, reduziu o número de deputados de 386 para 199 e aumentou o peso relativo dos círculos uninominais, que passaram a eleger 106 dos 199 deputados, reforçando a lógica maioritária do sistema em detrimento da proporcionalidade. Adicionalmente, quando antes em caso de não haver 50% dos votos num(a) candidato(a) nos círculos uninominais havia uma segunda volta, agora basta uma maioria relativa. Esta mudança tornou decisiva a vitória em múltiplos círculos uninominais, mesmo com margens reduzidas, favorecendo........
