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A Europa está a proteger o aço ou a afastar a indústria?

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17.06.2026

A Europa enfrenta hoje uma contradição que deve preocupar todos os que acreditam no seu modelo económico, social e ambiental. Queremos uma indústria forte, descarbonizada, tecnologicamente avançada e capaz de competir no mundo. Mas, demasiadas vezes, as medidas que adoptamos para a proteger acabam por fragilizar precisamente aqueles que mais contribuem para essa ambição.

No dia 1 de julho de 2026, entram em vigor novas medidas de protecção da indústria europeia do aço. Estas somam-se ao Carbon Border Adjustment Mechanism, que iniciou a sua fase definitiva em 1 de janeiro de 2026, e a um conjunto de medidas antidumping dirigidas a importações de países terceiros. A intenção é compreensível: responder à sobrecapacidade global, à concorrência de produtores com estruturas de custo muito diferentes e ao risco de desindustrialização europeia.

O problema não está, portanto, no diagnóstico. Está na terapêutica.

A Europa tem uma indústria siderúrgica pressionada por custos energéticos elevados, exigências ambientais mais rigorosas, investimentos pesados em descarbonização e concorrência internacional fortemente assimétrica. Seria ingénuo defender que este contexto não exige resposta política. Mas seria igualmente ingénuo acreditar que tarifas, quotas e barreiras comerciais, por si só, criam competitividade.

Não criam. Podem comprar tempo. Mas, se esse tempo não for usado para reduzir custos estruturais, acelerar licenciamento, garantir energia competitiva, apoiar investimento produtivo e simplificar a vida às empresas, a protecção transforma-se num imposto escondido sobre toda a cadeia industrial europeia.

É aqui que a actual abordagem europeia revela a sua maior fragilidade.

Ao proteger sobretudo a produção primária de aço, a União Europeia corre o risco de deixar exposta a indústria transformadora que depende desse aço para produzir bens de maior valor acrescentado. Embalagens metálicas, componentes industriais, máquinas, equipamentos, produtos de consumo e inúmeras outras cadeias de valor passam a comprar matéria-prima mais cara, enquanto concorrentes........

© Observador