Do grande equívoco ao mito da redistribuição
A ciência política comparada mostra-nos um padrão claro: sociedades onde o poder político pode capturar riqueza tendem a redistribuir escassez, não a criar prosperidade.
“Do vasto aumento no bem-estar de centenas de milhões de pessoas ao longo dos 200 anos da Revolução Industrial, praticamente nada pode ser atribuído à redistribuição direta de recursos dos ricos para os pobres” (Heath, 2022).
Sim, esta frase pode ser, para muitos, no mínimo, desconfortável. E é precisamente por isso que deve ser levada muito a sério.
Durante décadas, o debate político nas democracias ocidentais foi construído sobre uma ideia moralmente intuitiva: a pobreza existe sobretudo porque a riqueza está mal distribuída. A conclusão implícita parece lógica, quase inevitável, mesmo. Se redistribuirmos mais, a pobreza diminuirá estruturalmente.
O problema é que a história económica real conta uma história bastante diferente e até surpreendente.
Crescimento, e não redistribuição: o padrão histórico dominante
A maior redução de pobreza extrema da história humana não coincidiu com grandes experiências redistributivas. Coincidiu com industrialização, aumento massivo de produtividade, inovação tecnológica e expansão de mercados.
Robert Lucas descreveu este fenómeno de........
