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De que falamos quando dizemos democracia?

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05.07.2026

Poucas palavras gozam hoje de um estatuto tão consensual como democracia. É talvez uma das raras expressões da linguagem política contemporânea que praticamente ninguém ousa rejeitar. Dos liberais aos socialistas, dos conservadores aos populistas, dos nacionalistas aos revolucionários, quase todos afirmam agir em nome da democracia.

E, no entanto, raramente estiveram tão longe de falar da mesma coisa.

Este é um dos paradoxos centrais da política contemporânea, ou seja, existe um consenso quase universal em torno da palavra, mas um profundo desacordo quanto ao seu real significado.

Na linguística distingue-se frequentemente entre o significante – a palavra – e o significado – o conceito que essa palavra representa. Ora, poucas palavras ilustram tão bem esta distinção como a palavra democracia.

Para uns, democracia resume-se à existência de eleições periódicas. Para outros, exige igualmente separação de poderes, independência dos tribunais, liberdade de expressão, proteção das minorias, imprensa livre, limitação constitucional do poder e respeito pelos direitos........

© Observador