A Justiça portuguesa não está bloqueada. Está equilibrada
O verdadeiro problema da Justiça em Portugal não é a falta de diagnósticos nem a falta de propostas. É a ausência de incentivos para que os principais atores alterem um equilíbrio que, embora prejudique os cidadãos, continua a servir quem tem poder dentro do sistema.
É, no fundo, um caso clássico de equilíbrio de Nash aplicado às instituições.
Os cidadãos suportam a maior parte dos custos.
Quem define ou influencia as regras suporta muito poucos.
Portugal convive há décadas com um consenso raro
Quase toda a gente reconhece que a Justiça é demasiado lenta. Governos reconhecem-no. Magistrados reconhecem-no. Advogados reconhecem-no. Académicos reconhecem-no. Empresários reconhecem-no. Os cidadãos sentem-no todos os dias.
Apesar disso, pouco muda.
Não porque faltem diagnósticos.
Mas porque faltam incentivos para alterar o sistema.
Existe uma tendência para imaginar que as instituições funcionam mal porque os responsáveis ainda não........
