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A Justiça portuguesa não está bloqueada. Está equilibrada

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14.08.2026

O verdadeiro problema da Justiça em Portugal não é a falta de diagnósticos nem a falta de propostas. É a ausência de incentivos para que os principais atores alterem um equilíbrio que, embora prejudique os cidadãos, continua a servir quem tem poder dentro do sistema.

É, no fundo, um caso clássico de equilíbrio de Nash aplicado às instituições.

Os cidadãos suportam a maior parte dos custos.

Quem define ou influencia as regras suporta muito poucos.

Portugal convive há décadas com um consenso raro

Quase toda a gente reconhece que a Justiça é demasiado lenta. Governos reconhecem-no. Magistrados reconhecem-no. Advogados reconhecem-no. Académicos reconhecem-no. Empresários reconhecem-no. Os cidadãos sentem-no todos os dias.

Apesar disso, pouco muda.

Não porque faltem diagnósticos.

Mas porque faltam incentivos para alterar o sistema.

Existe uma tendência para imaginar que as instituições funcionam mal porque os responsáveis ainda não........

© Observador