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Impacto dos deepfakes na democracia e direitos fundamentais

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22.01.2026

Quando falamos de deepfakes, é um erro tratá-los apenas como um desafio tecnológico ou como mais um capítulo na discussão sobre regras digitais. Em muitos casos, estamos a falar de violência. Violência exercida através da tecnologia, mas com consequências profundamente reais para quem a sofre. Mulheres e crianças veem os seus rostos e corpos apropriados sem consentimento, transformados em instrumentos de humilhação, de coerção e de abuso. Isto não é virtual, é uma forma clara de agressão.

A proliferação dos deepfakes representa, por isso, uma mudança estrutural no espaço público. Não apenas porque torna a falsificação mais acessível e mais sofisticada, mas porque fragiliza a confiança coletiva e torna instável a fronteira entre o verdadeiro e o fabricado. Quando imagens, vídeos ou gravações podem ser produzidos artificialmente com elevado grau de verosimilhança e difundidos à escala global em minutos, o impacto não é neutro. É político, jurídico e humano.

O efeito mais corrosivo desta tecnologia não é apenas induzir alguém em erro. É normalizar a dúvida permanente. Se tudo........

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