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Para onde vão os caminhos portugueses de Santiago?

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1.O interrogante título deste artigo parece desnecessário, porque, evidentemente, os caminhos portugueses de Santiago dirigem-se para a catedral de Santiago de Compostela, na Galiza, onde antigas tradições admitem ter sido depositado o corpo do apóstolo Santiago. Foi assim na Idade Média e assim continua a ser hoje. Na atualidade, porém, o destino não parece ser o mais importante. Para a maioria dos peregrinos, o momento de chegada à Praça do Obradoiro é apenas o primeiro passo do próximo caminho. Em décadas recentes, o itinerário escolhido para caminhar até Compostela tornou-se na mais relevante dimensão de quem peregrina, porque é, afinal, no percurso, nas longas jornadas silenciosas por uma paisagem desconhecida, que se opera a viagem transformadora, íntima e pessoal, que a peregrinação jacobeia continua a ser. Por essa razão, os caminhos (todos os caminhos) passaram a ter uma importância superior ao exato momento da chegada e os peregrinos reúnem mais memórias das experiências nos dias de caminhada do que numa cada vez mais sobrelotada e turística Compostela.

Em 2025, mais de meio milhão de peregrinos chegaram a pé à catedral de Santiago. 200.000 fizeram-no por caminhos que têm origem em Portugal. O Caminho Central Português ultrapassou a barreira das 100.000 pessoas. O Caminho Português da Costa atraiu mais de 90.000 peregrinos, número extraordinário porque, há exatamente dez anos, este itinerário costeiro foi percorrido apenas por pouco mais de 1500 caminhantes. O Porto foi a segunda cidade da Península Ibérica de onde mais partiram peregrinos – mais de 70.000. De Valença do Minho saíram 20.000. De Lisboa mais de 3.000. Quase todos eram estrangeiros, atraídos pelas maravilhas dos trilhos, da paisagem e da hospitalidade portuguesa.

Em paralelo, outros percursos começam a afirmar-se, como o Caminho Português do Interior, o Caminho da Geira e dos Arrieiros ou o........

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