Temer a húbris
Por razões que nos desviariam do nosso propósito, Zeus patrocinou o casamento da nereide Tétis com Peleu, um dos argonautas que se deslocaram à Cólquida em busca do Tosão de ouro. Deste casal abençoado pelos deuses viria a nascer Aquiles, de pés velozes e temperamento violento, um dos protagonistas da Guerra de Troia cantada por Homero na Ilíada. Mas a sua importância no conflito não reside apenas nos seus feitos como guerreiro: a verdade é que foi no casamento dos seus pais que o conflito começou.
Terão sido convidados para a cerimónia todos os deuses, com exceção de Éris, a deusa da discórdia – o que é compreensível. Mas o que é igualmente compreensível é que Éris não tivesse ficado agradada com a falta de convite, pelo que interrompeu a festa para entregar aos deuses uma maçã das Hespérides com a seguinte gravação: “Para a mais bela.” Já sabemos como os deuses gregos eram demasiado humanos e, por isso, não é surpreendente que Hera, Atenas e Afrodite, entendendo ser as destinatárias do objeto, tivessem entrado numa disputa competitiva pelo que viria a ser chamado “pomo da discórdia”.
Hermes propõe que seja um pastor, reconhecido como justo, a decidir a qual das três deusas o pomo devia ser entregue e cada uma delas oferece a Páris uma recompensa pela escolha: Hera promete-lhe o poder sobre o mundo e Atenas a vitória em todas as guerras; já Afrodite, a deusa da beleza e do amor, garante-lhe a mulher mais........
