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Perder a esperança

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30.03.2026

Podemos ir colecionando os mitos gregos como quem faz (ou fazia) coleção de cromos na infância. Vamos juntando as diferentes versões de cada história, vamo-nos familiarizando com as personagens, vamos conhecendo a longa teia que as liga, vamos aprendendo as diferentes leituras que delas foram feitas. E vamos, inevitavelmente, criando relações de afeto com algumas dessas histórias, que, aos poucos, se vão tornando as nossas favoritas. Foi o que me aconteceu com o mito de Pandora.

Não podemos avançar logo para ela, a primeira mulher a ser criada. Temos de começar pelo mais conhecido dos titãs, Prometeu, e o seu irmão Epimeteu, e como Zeus delegou neles a tarefa de criar os homens. Estariam os deuses aborrecidos no seu mundo de ordem e harmonia? Talvez tivessem decidido, por essa razão, conceber criaturas, humanas e não humanas, com quem se pudessem entreter.

Em Protágoras, Platão coloca na boca do sofista a história de como Prometeu entregou ao irmão a tarefa de distribuir os talentos pelas criaturas. Mas Epimeteu, sempre menos perspicaz do que o irmão, procura Prometeu angustiado: tinha distribuído todos os dons – velocidade, força, rapidez, tamanho – aos animais não humanos e agora não sobravam talentos para os homens. Prometeu resolve a desvantagem humana dando-lhes o fogo que roubou a Hefesto.

Foi essa dádiva que fez Zeus castigar Prometeu, como já sabemos, mas também os homens. Diz-nos Hesíodo que Zeus pediu a Hefesto e à deusa Atena que dessem forma à mulher, uma criatura encantadora que recebe o nome de Pandora: aquela a quem os deuses deram tudo. E........

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