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Para que serve a Universidade?

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Há um par de anos, moderei uma sessão na Festa da Poesia de Matosinhos e, tendo chegado mais cedo, pude assistir ao painel anterior dedicado a jovens poetas. O moderador era um conhecido radialista e, no final, fez aos oradores a pergunta típica no domínio da literatura: Que poetas os tinham inspirado? Os jovens hesitaram. Se bem me recordo, o moderador teve de reformular a pergunta e o silêncio que se seguiu deixou muitos dos presentes inquietos – embora muitos editores se refiram com frequência a este problema: o facto de tantos jovens quererem ser escritores sem terem lido o suficiente.

No século XIX, o problema era evidente para John Stuart Mill. Quando publicou, em 1869, A sujeição das mulheres, identificou o principal obstáculo ao contributo das mulheres para a cultura e para o pensamento desta forma:

“A verdade é que, desde que um número considerável de mulheres começou a cultivar seriamente o pensamento, nunca a originalidade foi algo fácil de conseguir. Quase todos os pensamentos a que é possível chegar pela simples força das faculdades originais foram há muito atingidos; e daí que a originalidade, em qualquer aceção elevada do termo, dificilmente possa ser hoje alcançada por mentes que não estejam submetidas a uma rigorosa disciplina, e não sejam profundamente versadas nos resultados das reflexões precedentes.”

Era isto que justificava, para Mill, o facto de não encontrarmos grandes nomes femininos na história intelectual: não era por falta de capacidade intelectual das mulheres, era simplesmente pelo facto de não terem tido as mesmas oportunidades de educação e de agora terem um trabalho maior pela frente. Continua Mill:

“Foi Maurice, segundo creio, quem observou que os pensadores mais originais da nossa época são aqueles que mais rigorosamente conhecem o........

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