Mulheres zangadas
Regresso a Yesteryear. O que mais me impressionou neste livro foi o facto de quase todas as mulheres estarem sempre zangadas. Como conta Natalie, a protagonista, da sua experiência na universidade:
“Fazia os trabalhos de casa, depois os trabalhos facultativos e, por fim, sentava-me ao computador e navegava por uma série de fóruns de baixa qualidade online, à procura de respostas para as perguntas que me surgiram desde que cheguei à faculdade. Porque será que as mulheres de hoje odeiam tanto os homens? Porque será que as mulheres de hoje odeiam tanto as crianças? Porque será que as mulheres de hoje se odeiam tanto a si mesmas?”
Por que razão estará uma autora feminista tão predisposta a representar as mulheres desta forma?
Importa recordar que as raízes para esta cultura de ódio não são recentes. Pensemos na feminista radical Valerie Solanas, autora do SCUM Manifesto de 1967, que defende a tomada do poder pelas mulheres e a eliminação dos homens. (Um ano depois, Solanas foi responsável pela tentativa de assassinato de Andy Warhol.) Mas foram as redes sociais a permitir uma maior divulgação deste sentimento de ódio dirigido aos homens e de que são prova os hastags #killallmen e #allmenaretrash.
Durante as últimas décadas, esta misandria foi legitimada como reação natural ao privilégio masculino, mas as suas piores consequências tornam-se hoje evidentes. No mundo anglo-americano, uma espécie de feminilidade tóxica está a crescer nas margens dos movimentos........
