Lobo Antunes foi meu professor de português
O primeiro texto que li de António Lobo Antunes terá sido uma crónica nas aulas inaugurais do secundário. Chamava-se “Chopin é um frango”. Na verdade, li-o ainda nas férias, num apartamento grande, ainda em luto pela morte do meu bisavô, quando abri os livros novos, que tinham chegado mais cedo nesse ano. De lá para cá, aquela sensação de ser enganado por um autor, de ele nos perseguir, de, por fim, nos ludibriar, de isso ser imensamente mais prazeroso e bondoso que a evidência, continua a raptar parte da minha imaginação. Durante os anos que se seguiram, nas imensas tardes livres daqueles três anos, ou nas fugas propositadas às fichas de matemática e aos exercícios de físico-química, que não escolhi voluntariamente, António Lobo Antunes foi a pessoa com quem podia falar de literatura. Fosse, de novo,........
