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Complexo King Kong

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24.01.2026

Em geral, para tentar explicar o que estamos a viver, é costume remeter-se para O Mundo de Ontem, de Stefan Zweig, ou para obras de Joseph Roth e de Fitzgerald, sem esquecer Thomas Mann ou Franz Kafka. Há, no entanto, algo que podemos acrescentar: o inusitado King Kong, cuja primeira versão (1933) é contemporânea de Zweig e de Roth.

A história é conhecida. No meio de uma profunda crise, civilizacional e pessoal, um realizador parte em busca de uma ilha mítica, com o pretexto de rodar, a partir dessa experiência, um filme. A ilha, afinal, tem pouco de mítico, e todos acabam por se deparar com uma civilização primitiva que oferece mulheres a Kong, um deus-gorila gigante. Essa civilização captura Ann Darrow, a estrela do filme, que, depois de algumas peripécias, acaba por ser salva pela equipa. Mas, o realizador lembra-se de capturar Kong, de o trazer para a “grande cidade” e colocá-lo em exibição. É óbvio: as multidões acorrem ao teatro para ver a criatura, batem palmas, gritam de entusiasmo, festejam........

© Observador