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A armadilha de Ulisses

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Devo confessar: prefiro a Ilíada. As muralhas de Troia, a birra e a cólera de Aquiles, a despedida entre Heitor e Andrómaca, a incursão noturna de Príamo ao acampamento do inimigo, os enganos nas batalhas, acima de tudo a permanência. Mas ninguém pode dizer que não a Homero.

No canto V, no «umbigo dos mares», no frente a frente com Calipso, num espaço à margem, num nenhures onde o Ulisses pai, rei e marido parece ter desaparecido, para ficar só o Ulisses perdido e náufrago, ao futuro herói é prometida a imortalidade. Se ficar com Calipso, não morrerá.

Ulisses, no entanto, luta contra a memória. Como ele, também vivemos presos e armadilhados por ela. Por isso, na proposta de Calipso, Ulisses percebe uma armadilha. Se escolher a vida........

© Observador