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Fé e razão para vencer a tentação

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21.02.2026

Na passada quarta-feira, dita das cinzas, porque as mesmas são impostas aos fiéis como sinal e convite à penitência, teve início o tempo litúrgico da Quaresma, que evoca, como o seu nome indica, os quarenta dias passados por Jesus de Nazaré no deserto, antes de dar início ao seu magistério público. Terminados esses dias de oração e de jejum, Cristo foi tentado pelo diabo.

A segunda das tentações não apenas pôs à prova a sua condição divina, mas também a sua razão humana. Na única pessoa de Jesus Cristo estão unidas as duas naturezas: a de Deus, recebida de seu único Pai, o do Céu (Lc 2,49); e a humana, que lhe foi transmitida imaculada por sua mãe (Lc 1, 34).  Com efeito, segundo São Mateus, depois de malograda a primeira investida diabólica, “o demónio transportou-o à cidade santa, pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: ‘Se és Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo, porque está escrito: ‘Mandou aos seus anjos em teu favor, eles te levarão nas suas mãos, para que o teu pé não tropece em alguma pedra.’ Jesus disse-lhe: ‘Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’.” (Mt 4, 5-7).

Tem o seu quê de enigmático que Jesus aceite uma boleia aérea do diabo e que este tenha o atrevimento de o tentar, citando a Sagrada Escritura. Também é de estranhar que queira experimentar Jesus, pois era do seu conhecimento a sua condição divina, a que é inerente a impecabilidade (Mt 8, 29; Mc 5, 7; etc.). Por outro lado, o que propunha era uma ofensa, não apenas a Deus, mas também à razão humana, porque ambas não se contrapõem, mas se complementam, como já dizia Santo Agostinho: “eu creio........

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