Recordar o encanto do vindimar
Posso dizer, com muito orgulho, que pertenço a uma geração que viveu uma infância feliz num meio rural isolado do mundo, mas rico de mundo por dentro. Um mundo de vivências partilhadas, sãs, solidárias e de coração aberto, com genuína partilha, sobretudo de boa vizinhança e inerente sentimento. Foi aí, entre a terra e o pão, que aprendi as fainas agrícolas e guardei uma cultura afetiva que ainda trago no peito, quente como pão acabado de sair do forno. Uma sabedoria que não vinha dos livros, mas das mãos calejadas dos mais velhos, transmitida pela osmose, da relação de proximidade, aos mais novos.
Vivia as vindimas como quem vive uma festa. Com o entusiasmo solto de participar nos trabalhos e nas brincadeiras que nasciam à volta do trabalho, fomentando a interatividade colaborativa, a motivação e a alegria. Para mim, a vindima foi sempre a Festa Maior. Pela doçura de Setembro,........
