O trauma da memória: o país envergonha-se do seu berço
O trauma é uma ferida na memória. E Portugal, na sua longa e sinuosa caminhada, carrega uma cicatriz profunda. A recente celeuma à volta do 25 de Novembro de 1975 a estabilização da democracia contra os ímpetos radicais do PREC é apenas o mais recente sintoma de uma nação que, sob a capa da modernidade, renega as datas que lhe deram forma.
A obsessão com o número 25 (Abril, Novembro) esconde um vazio perturbador: a quase indiferença com o 5 de Outubro de 1143, a data fundacional, o momento em que um condado se tornou nação, formalizado pelo Tratado de Zamora. Será o número ‘5’ o problema na matemática da memória coletiva? Talvez. Mas o que é verdadeiramente atroz é que a cidade de Lisboa, a capital, nem sequer celebra o 25 de Outubro de 1147, o dia em que D. Afonso Henriques a conquistou aos mouros, reintegrando Olissipo então chamada al-Ushbuna pelos mouros, herdeira do antigo nome romano no projeto........
