menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O Fascismo de conveniência: o rótulo substitui o argumento

5 1
31.01.2026

Antes de mais, sejamos claros, o fascismo e todos os sistemas totalitários são a negação absoluta da dignidade humana e não admitem normalização. O que me traz aqui hoje não é o branqueamento do passado, mas um alerta urgente sobre o presente. Vivemos numa sociedade onde o pensamento crítico foi substituído pelo ‘clique’ fácil e onde a conveniência mediática prefere o ruído do insulto à clareza do argumento. Ao assistirmos ao inundar de uma narrativa onde qualquer divergência à direita é carimbada como o mal absoluto, estamos a trair a própria democracia que dizemos defender. Não se protege a liberdade esvaziando as palavras do seu peso real; protege-se a liberdade exigindo que o debate regresse à honestidade intelectual.

Na política portuguesa contemporânea, assistimos a um fenómeno tão curioso quanto perigoso: a inflação do rótulo “fascista”. Vivemos num tempo onde, quanto mais nos distanciamos historicamente do regime de Salazar, mais o termo é evocado para silenciar o presente. O que outrora foi uma descrição rigorosa de um sistema........

© Observador