O Algoritmo de Auschwitz: a tecnologia organiza o Inferno
Há uma crença reconfortante, repetida à exaustão entre Silicon Valley e os novos profetas da Inteligência Artificial, de que a tecnologia é moralmente neutra. Dizem-nos que um algoritmo é apenas matemática, que um banco de dados é apenas informação e que a ética depende apenas das mãos de quem usa a ferramenta. Mas a História, esse juiz implacável, conta-nos outra versão. E o capítulo mais sombrio dessa lição tem um nome empresarial: IBM.
É um erro comum pensar que a dimensão industrial do Holocausto foi gerida com papel, caneta e máquinas de escrever. A escala do extermínio nazi exigia uma logística que o cérebro humano, por si só, não conseguia processar em tempo útil. Era preciso localizar milhões de pessoas, organizar comboios através de um continente em guerra, gerir trabalho escravo e contabilizar mortes ao minuto. Para transformar o ódio ideológico numa operação de eficiência industrial, o Terceiro Reich precisava de um “sistema operativo”. E encontrou-o na tecnologia de ponta da época: as máquinas Hollerith de cartões perfurados,........
