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Talvez seja isto o que merecemos

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23.06.2026

Ainda não está farto de tácticas? Ainda não está farto deste jogo de sombras e de intenções encapotadas, de narrativas vividas no limbo das chamadas “crises políticas”? Não está saturado, absolutamente saturado, de um jogo que é jogado entre três partidos que disputam o poder, exclusivamente o poder como fim em si mesmo? Não está entediado, talvez mesmo irritado com estas maiorias de bloqueios permanentes, em que uma bloqueia a outra, e a outra se bloqueia a si mesma? Ainda sente que algum desses três partidos, liderados por quem os lidera actualmente, é, de facto, capaz de trazer mudanças profundas ao statu quo do regime, do Estado, da sociedade portuguesa? Talvez mereça isto, então.

Desde que o Chega surgiu em cena que as discussões sobre qual a melhor forma de lidar com ele dominaram o espaço público. Linhas vermelhas, defesa de coligações, cercas sanitárias, cedências totais a Ventura, já tudo esteve em cima da mesa. Lidar com o Chega tornou-se um tema em si mesmo, como se o jogo táctico dos partidos fosse o princípio, o meio e o fim da política nacional. Como se nada disso tivesse, ou devesse ter, na base projectos políticos substantivos.

Quando o Chega surgiu, com um deputado no Parlamento, o PSD podia e devia ter crescido. Tinha ao seu lado alguém que sinalizava problemas sentidos no quotidiano pelos portugueses. Tinha muitas soluções erradas, muitas vezes........

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