menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Crise? Qual crise?

15 0
previous day

Hoje é dia 1 de Setembro de 2026 e parece que podemos assumir que o Partido Socialista viabilizará a proposta de Orçamento do Estado que o Governo da AD irá apresentar, após um natural, na medida em que é entendido como necessário, jogo de sombras relativamente a determinadas propostas insignificantes para o futuro do País, que farão acreditar os mais ingénuos na ideia de que PS e AD são, neste momento, alternativas políticas. André Ventura, que parece hoje a única alma partidária que percebe o buraco em que os partidos históricos da democracia se enfiaram, já percebeu o filme todo e prosseguirá, também ele, o seu teatro, de modo a que outros tantos crédulos passem a acreditar que é ele quem representa alguma coisa para lá daquele mesmo buraco.

Montenegro e Carneiro vivem na crença de que os portugueses estão fartos de eleições – ideia, de resto, bastante veiculada nas televisões e na imprensa sitiadas – e que, por isso mesmo, rejeitam crises políticas. Ventura, mais uma vez por maior astúcia, não teme eleições. Não porque acredite que possa vir a resolver metade dos problemas em que nos encontramos atolados, mas porque quer muito, como os outros dois, alcançar o poder, e tem a vantagem comparativa de ler o cenário político de forma muito mais realista. O que os portugueses temem não são crises políticas, como se estas fossem, como tantas vezes se faz crer, sinónimo de eleições e novos Governos. O que nós começamos a interiorizar é que a grande crise política em que nos encontramos não seja ultrapassada por mais eleições que se façam. Ninguém tem medo de eleições. Como é evidente, quem tem medo de eleições são políticos que vivem com medo de as perder. Os portugueses habituaram-se a elas, sabem para que servem e escolhem votar ou não votar sem que vejam no acto eleitoral um acontecimento extraordinário. Só uma cabeça fossilizada em 1974, julgando,........

© Observador