Bloco central, choque frontal
Uma das coisas aborrecidas na política portuguesa, entre muitas, é o facto de, atendendo à facilidade com que se vão produzindo narrativas ou elas se vão plantando no espaço público, termos sempre de andar a vasculhar o passado recente. Num par de semanas, um dos temas que, de forma mais ou menos discreta, ganhou espaço e, provavelmente, fará o seu caminho no debate público é o Bloco Central, isto é, a aliança possível entre PS e PSD como fórmula governativa que, julgam uns, será a fórmula possível de salvação do regime democrático, através desse putativo governo de salvação, assente na premissa de que o mesmo teria forçosamente de ser reformador, e, julgam outros, poderá ser a única via possível para manter o Chega afastado do poder.
Nos últimos anos, foi ganhando a forma de consenso o facto de nos encontrarmos a viver tempos politicamente perigosos porque a sociedade e a política estão polarizadas, como se isso fosse sequer um problema. Arrisco que, entre nós, a ideia foi ganhando forma à medida que se cristalizou, pelo menos durante um determinado período, a convicção de que o PSD, sob a liderança de Pedro Passos Coelho entre 2015 e 2017, se tinha tornado um partido radical, por oposição ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista, que passaram mesmo a ser considerados partidos social-democratas. Essa clivagem para com um partido, o PSD, que nunca deixou de manter uma base comum com os demais partidos do........
