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Composição demográfica alterada

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Durante anos, o debate sobre imigração foi reduzido a uma falsa escolha entre solidariedade e intolerância. Quem questionasse o ritmo dos fluxos migratórios, a capacidade de integração ou a sustentabilidade dos serviços públicos era frequentemente remetido para o campo do alarmismo ou do extremismo. Entretanto, a realidade encarregou-se de devolver o debate ao plano da política pública.

A Europa mudou. E não mudou porque se tornou menos humanista. Mudou porque a experiência acumulada mostrou que uma política migratória não pode ser avaliada apenas pelas intenções que a inspiram, mas sobretudo pelos resultados que produz.

Não foi a extrema-direita que alterou a política migratória europeia. Foram governos sociais-democratas, liberais e conservadores que, perante a experiência da última década, reforçaram o controlo das fronteiras, endureceram regras de permanência, aceleraram mecanismos de retorno e colocaram novamente a integração no centro da discussão. A Dinamarca tornou-se o exemplo mais evidente de que uma política migratória exigente pode ser defendida por um governo de centro-esquerda. A Alemanha abandonou o espírito do Wir schaffen das (“Nós conseguimos” ou “Nós vamos conseguir”), a frase que simbolizou a política de abertura proclamada por Angela Merkel em 2015. A Suécia, os Países Baixos, a Áustria, a Itália, a França e até o Reino Unido convergiram numa ideia simples: a confiança dos cidadãos depende também da capacidade do Estado para controlar quem entra e integrar quem fica. Esta mudança de paradigma refletiu-se igualmente na União Europeia com a aprovação do novo Pacto Europeu sobre Migração e Asilo, que reforça o controlo das fronteiras externas, acelera os procedimentos de asilo e retorno e estabelece novas regras de responsabilidade entre os Estados-Membros. A votação no Parlamento Europeu ficou ainda simbolicamente marcada pelos protestos nas galerias, onde se ouviram gritos de “Send them back!” (“Mandem-nos de volta!”), um episódio revelador da intensidade do debate e da distância percorrida desde o célebre “Refugees Welcome”.

Portugal continua, em muitos aspetos, a discutir a imigração como se ainda estivéssemos em 2015.

Mas os números já pertencem a outra realidade.

Portugal sofreu uma das maiores transformações demográficas da sua história em tempo de paz.

Os números impressionam, mas escondem o mais importante. Não é apenas um crescimento quantitativo. É a velocidade da transformação.

Em 2000: cerca de 208 mil estrangeiros residentes; aproximadamente 2% da população.

Hoje: cerca de 1,6 milhões de estrangeiros residentes; cerca de 14% da população.

Ou seja, em apenas vinte e cinco anos Portugal passou de um país onde existia aproximadamente um........

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