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À (re)conquista do CHEGA - disputar o monopólio da revolta

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20.09.2026

Em artigos anteriores tentei demonstrar o impacto das políticas de imigração de António Costa em vários sectores da sociedade portuguesa. Hoje vamos lançar um olhar sobre as consequências políticas.

Em 2016, Portugal vivia instalado no mito da exceção: era o país que a direita radical europeia parecia ter esquecido de visitar. Em 2026, Portugal vive outra coisa. Vive a competição pelo maior mercado político da atualidade — o mesmo que já reconfigurou a Alemanha, a França, a Itália ou a Suécia. A diferença entre as duas décadas não é uma mudança de carácter nacional. É o tempo que levou a admitir que a procura sempre lá esteve.

Há um nome a que essa procura anda associada, ainda que raramente se diga com esta franqueza: António Costa. Não porque tenha construído a direita radical portuguesa — não construiu. Mas porque geriu, durante os seus anos de governação, a política migratória e demográfica que criou as condições para a sua procura. Um modelo de regularização massiva. Uma alteração acelerada da composição populacional, sem debate público equivalente. E a recusa em tratar a ansiedade que isso gerava como um problema político legítimo, em vez de um preconceito a corrigir. É isso que preenche, hoje, o “mercado” que o CHEGA abriu e que o Reconquista tenta agora disputar-lhe. Costa não fez a direita radical portuguesa. Fez o país onde ela floresce.

Essa é a tese. Os dados de uma sondagem recente sobre o movimento Reconquista (Intercampus, universo de 803 inquiridos, realizada entre 10 e 31 de julho), ainda sem estatuto formal de partido, permitem medir até onde esse crescimento já vai — e mostram que ele não parou no CHEGA.

Mas há uma segunda camada nesta tese que importa separar da primeira. O CHEGA é o produto da geringonça. Nasce e cresce como resposta direta à entrada da extrema-esquerda no governo pela mão de António Costa. E, noutra parte, como resposta ao modelo de imigração e de gestão demográfica dos anos de Costa. Vale a pena lembrar que essa ligação não foi imediata nem óbvia desde o início — o CHEGA hesitou em entrar de frente no combate às políticas migratórias de Costa, e não havia, nos seus primeiros cartazes e campanhas, um único que falasse de imigração. A imigração tornou-se bandeira central muito mais tarde, só depois de as consequências se tornarem incontornáveis. Não porque tivesse sido o motor original da direção do partido, mas porque se tornou eleitoralmente vantajoso. Essa contenção não resultava necessariamente da falta de apoio das bases – pelo contrário – mas do receio de que assumir uma linha mais dura sobre imigração tivesse custos para a imagem do partido e do seu líder. Mas a hesitação do CHEGA diz mais sobre o partido do que sobre a procura que lhe deu origem — e é essa procura que importa perceber.

Ela não nasceu do nada nem à espera de um partido que a descobrisse: se existe hoje uma maioria ideológica – no que toca à rejeição do modelo migratório actual – ela também........

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