Ou há coragem ou não, Mariana Leitão
Entre Ventura e Seguro, há uma diferença fundamental que a direita democrática tem obrigação de saber enunciar. Embora sejam ambos socialistas, apenas um é humanista e, como tal, o eixo moral desta escolha.
Seguro nunca foi o meu candidato presidencial e nunca há de ser. Não lhe reconheço as qualidades politicas para tal. Mas a escolha hoje não é política nem ideológica, mas moral.
A Iniciativa Liberal (IL), que gosta de se apresentar como adulta, racional e moderna, tem falhado em dizer o óbvio quando o óbvio exige coragem. Mariana Leitão ainda vai a tempo.
O liberalismo não nasceu como e não é uma técnica económica. Nasceu como uma resposta moral à violência do poder. Tanto Locke, como Montesquieu, Madison, Constant ou Tocqueville, partiram da mesma premissa de que o ser humano é falível, o poder corrompe e o Estado deve ser limitado porque a dignidade do indivíduo é anterior a qualquer autoridade. O liberalismo nasce contra o arbítrio, contra a humilhação, contra a ideia de que alguns são mais humanos do que outros. Nasce contra o absolutismo, contra a perseguição religiosa e contra o populismo/tribalismo primitivo que transforma a política em vingança.
O discurso de vitória de André Ventura foi paradigmático, mas muito elucidativo. Foi um discurso absolutamente iliberal, não democrático e não conservador no sentido clássico. Ventura foi tribal, identitário e moralmente agressivo. O liberalismo não divide a sociedade entre “os puros” e “os impuros”. Não promete castigos e não........
