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O Japão pacifista e a tentação da revisão constitucional

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13.05.2026

Ao assinalar os 79 anos da entrada em vigor da Constituição japonesa, Sanae Takaichi escolheu uma data carregada de simbolismo para relançar um dos debates mais sensíveis da política nipónica do pós-guerra: a revisão do texto constitucional imposto após a derrota de 1945.

A mensagem da primeira-ministra foi clara: o Japão do século XXI já não pode continuar condicionado por um enquadramento jurídico concebido num contexto histórico completamente distinto. O centro da discussão permanece o célebre artigo 9.º, a cláusula pacifista que renuncia formalmente à guerra como instrumento soberano do Estado. Durante décadas, esta disposição foi apresentada como um dos pilares da identidade política japonesa do pós-guerra, funcionando simultaneamente como símbolo de contenção militar e como garantia moral perante os traumas deixados pelo expansionismo imperial japonês.

Contudo, a realidade estratégica da Ásia Oriental alterou-se profundamente. Essa percepção de mudança tornou-se particularmente visível durante a recente Golden Week – o longo período festivo japonês que tradicionalmente mistura celebração interna e intensa actividade diplomática. Enquanto milhões de japoneses aproveitavam os feriados nacionais, o governo de Tóquio multiplicava contactos políticos no estrangeiro, procurando consolidar alianças estratégicas num contexto regional e internacional cada vez mais tenso.

Representantes do executivo japonês reforçaram diligências diplomáticas junto de parceiros europeus, asiáticos, africanos e norte-americanos, insistindo na necessidade de........

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